segunda-feira, 20 de junho de 2011

O ÊXODO DOS MARRANOS EM GOIÁS. UM BREVE RELATO HISTÓRICO. / Êxudus of Anoussim of Goiás./ יציאת מצרים האנוסים של גויאש


Devido à perseguição através da inquisição católica na Europa no final do século XV, os judeus portugueses vieram para o Brasil. Ao chegar no Brasil a alegria durou pouco tempo, aproximadamente um século e meio. Após esse tempo, o sossego e a liberdade deste povo foram tolhidas. Por volta do ano de 1700 o Brasil foi invadido com a caça aos hereges, lógico que para a Igreja Católica havia destino certo, os judeus praticantes. Nesse sentido, com a caça aos judeus iniciou uma preocupação das famílias marranas, pois muitos foram levados para Portugal e queimados em praça pública a exemplo de Antônio José da Silva "O Judeu", assim, as famílias judias tentavam sair das metrópoles evadindo para o interior do país. Naquela ocasião, mais precisamente no ano de 1726, o Estado de Goiás estava sendo descoberto pelo bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva "O Anhanguera" que também era um Marrano.


Até 1721, o território que hoje é Goiás fazia parte da Capitania de São Paulo, o Conde de Assumar, Dom Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelos, era o Governador e Capitão-mor da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, no Brasil. O mesmo teve como Rábula o Coronel da Guarda Nacional Francisco Teixeira da Motta (meu ascendente). Com a propaganda de que havia muito ouro, a região começou a ser povoada pelos povos de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco, com intenção de nova frente de serviço e riquezas, os anussim sabendo dessa oportunidade de vida, fugiram em grande número pra o Centro-Oeste brasileiro, mais precisamente para o Estado de Minas Gerais, pois o "Santo Ofício" estava a captura dos hereges. Desta forma os anussim procuraram sair para o interior do Brasil, correndo da força da Igreja Católica, se embreando até chegar ao sul das Minas de Goiás.
Com a instalação do "Santo Ofício" no Brasil, o medo de ser deportado, condenado, torturados e mortos juntamente com seus filhos e mulheres, alguns judeus saíram de Minas Gerais rumo às Minas de Goiás, não só com a intenção de procurar ouro, mas com a intenção prioritária de fugir da perseguição inquisitorial, desta feita, muitos judeus de Minas Gerais e do litoral do Brasil, foram inicialmente para o sul do Estado de Goiás e outros Estados como Mato Grosso do Sul, essa transição durou até meados dos anos de 1845. Em 15.07.1834, a rainha Isabel II decretou o fim da Inquisição Espanhola, a inquisição no Brasil se findou em 1821. A partir de então, a cultura judaica foi se perdendo com a pressão da Igreja Católica.

Parte de minha História:
Os ascendentes de meu bisavô Alfeu Alves Rosa, saíram de Minas Gerais na ocasião da instalação do Santo Ofício, com sua família a procura de paz para criar seus filhos e netos, todavia, calou-se a vós do judaísmo nas famílias, pois qualquer que fosse pego praticando o judaísmo naquela ocasião era entregue aos cardeais que capturavam os judaizantes e extraditava-os para Portugal para serem condenados e mortos pelo "Santo Ofício".

A influência foi tão obrigatória que todos os marranos deviam se converter ao cristianismo, nossos ancestrais não podiam seguir o judaísmo mais, tinham medo de serem perseguidos, muitos de seus filhos casaram-se com outros que não tinham os costumes, nem eram descendentes de judeus, se desfazendo os costumes do judaísmo por quase completo.

Meu avô materno Júlio Teixeira Motta, era descendente de Francisco Teixeira da Motta, que foi Coronel da Guarda Nacional e Rábula, poliglota, falava: tupi-guarani, francês, alemão, português e espanhol, casou-se com Senhora Tereza Marques das Neves do Pilar (filha de escravo). Tereza, apesar de ser filha de negros tinha a pele branca, por essa situação foi perseguida de morte por negros e brancos. Essa história só aconteceu há três séculos.

A ascendência paterna não fez parte da história do Estado de Goiás, todavia, a origem judaica por parte da mãe de meu pai, a senhora Judith Siqueira Perez que era filha de holandeses e portugueses nascida em Minas Gerais, com certeza colaborou com a cultura da região de Minas Gerais assim como as demais famílias alí presentes. Meu avô descendia de Jerônimo de Albuquerque, que tinha como ascendente o Rei de Portugal Diniz de Albuquerque, reinado de 1299 a 1345.

Não quero aqui procurar provar minha linhagem apenas, pois assim como sei que tenho ascendência de hebreus, negros, portugueses, holandeses e Índios, assim sei que sou Bnei Anussim, não necessitamos de atestado comprobatório de nacionalidade ou de pessoas ou de alguma instituição para conhecer nossa ascendência, está no sangue, na pele, no cabelo, nos olhos, na fala, no costume, em documentos, em arquivos e na história. A nossa história e de nossos ancestrais se entrelaçam com a história de Goiás, dos povos aqui citados e dos valores que eles trouxeram para a cultura da sociedade goiana e brasileira.

Eu sou um anussita, sou negro, sou português, sou holandês e sou índio. Eu sou da raiz de Goiás, sou BRASILEIRO.



Referências Bibliográficas

POLONIAL, Jucelino. Terra do Anhanguera - História de Goiás. 2ª Edição, Editora Kelps. São Paulo: 2005.


ARQUIVO PÚBLICO MINEIRO:
http://www.siaapm.cultura.mg.gov.br/modules/rapm/brtacervo.php?cid=493


Lista de governadores de Goiás – Marcos Noronha (conde de Arcos)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_governadores_de_Goiás


http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Miguel_de_Almeida_Portugal_e_Vasconcelos


http://www.overmundo.com.br/overblog/alberto-da-pazpatrimonio-e-memoria-de-goias


http://apostoladosagradoscoracoes.angelfire.com/conde.html


http://pt.wikipedia.org/wiki/Conde_de_Assumar


http://www.myheritage.com.br/site-family-tree-33064312/albuquerque

As pesquisas também se deram através da Igreja Católica, Cartórios, contos de família, documentos antigos e de nossa prima Fátima Paraguassú.

terça-feira, 31 de maio de 2011

OS BASTIDORES DA POLÍTICA IMPERIALISTA

   A caracterização se funde na formação da política, que através do processo histórico, adquire características próprias, regionalizadas, sendo influenciada pela filosofia e pelos costumes dos povos através dos tempos.
   Diante do exposto, a política nasce em um período da história humana onde o fictício e as fábulas são substituídas pela mente racional. Esse tempo se estabeleceu entre as eras da Grécia arcaica e a clássica, onde o surgimento das cidades-estado (pólis) foi fundamental para a formação da política.
O termo política tem sua origem do grego, em que a civilização da Grécia se organizou através da pólis, nome este que é uma derivação das palavras “politiké”(política em geral) e “polítikos”(dos cidadãos, pertencentes aos cidadãos), que transliterada posteriormente para o latim passou a ter a terminologia de “politicus”.
   A palavra “política” é oriunda do termo grego antigo πολιτεία (politeía), qual era responsável pela aplicação administrativa na “polis”, como forma de gestão do poder do Estado em função da sociedade. Também podemos encontrar este termo na obra de Platão traduzido como “A República”, onde seu termo original descrito é "Πολιτεία" (Politeía).
   Nesse sentido os fundamentos da filosofia política originou-se nesta época, sendo absorvida sua excência pelas bases Romanas, o qual soube aplicar muito bem esse instrumento para propciar as conquistas das quais se efetivaram através da difusão filosófica política.
Importante observar que Roma iniciou seu declínio apartir do século IV a.C., vindo ainda a transparecer que sua decadência política houvesse começado dentro do próprio governo, uma sombria insurreição na cozinha da república.
   A cada dia, ficava mais difícil proteger o imenso território conquistado. Esse drama durou séculos, parecia não haver possibilidades para que Roma se reerguesse, não bastava as ameaças internas, as ameaças externas através das invasões bárbaras nos séculos III a V d.C, produzia ainda mais a desestabilidade do Império.
   Nesse contexto, a economia começou a sofre também com os efeitos das invasões bárbaras, pois as finanças para as contruções públicas e cerimônias eram desviadas para o exército com a finalidade de suprir a logistica da guerra.
   A decadência política da república e início do Império teve seu apogeu por volta do ano de 146 a.C., onde a disputa pelo poder tornou-se o estopim da trama de traição, tendo seu desfeche com a morte de Júlio César, articulação esta produzida pelo Senado.
   Com o surgimento do Império, nasce também uma perspectiva de subsistência da nova forma de governo, todavia, sua essência se fundou basicamente na força física das conquistas de territórios, mas um terceiro problema e talvez quem sabe, o maior deles começa a surgir, o controle e a manutenção do poder sobre os povos e territórios conquistados que teve sua parcela no desequilíbrio da estrutura política.
   Diante dessa problemática, o Império romano teve que reagir, pois caso contrário seria seu fim, como se as forças esvaíssem dentre os dedos. É justamente nessa situação entre os séculos I e III d.C., que o Estado romano começou a implantar outra forma de domínio, além da já exercida, pois diante de tal quadro, as forças militares não poderiam mais alcançar toda extensão territorial ao mesmo tempo e nem havia efetivo suficiente para defender os interesses do Império.
   É claramente perceptível que a forma de controle do Estado não deveria mais partir de fora para dentro, ou seja, do Estado para o indivíduo, mas sim o contrário, de dentro para fora, do indivíduo para o Estado. Situação que nós podemos chamar de alienação política, ou seja, controle das massas, uma forma de dominar o indivíduo por mais longe que estivesse das vistas do Império.
   Mecanismo esse que foi muito eficiente e que produziu um efeito que sustentou o Império romano físico por muito tempo, pois o Império filosófico persistiu até os dias atuais.
   Por conseguinte, a aplicação do domínio político através da força física do Estado a um indivíduo não reduz o “animus resistendi”, mas a inserção da filosofia política no sistema de governo possivelmente será a responsável pelo controle desse indivíduo no sistema político aplicado.
   É importante observar e esclarecer a aplicação da metodologia política filosófica romana, tendo como instrumento de intervenção a filosofia religiosa, para domínio dos costumes sociais e subordinação ao sistema político desejado, como forma de subserviência ao Império e de neutralizar a liberdade de expressão e do pensamento.
   Considero ainda que os mecanismos de controle sociais e do indivíduo que nasceu com o Estado, são instrumentos mecânicos e metafísicos, que direcionam os interesses do Estado de forma a alcançar seus objetivos.
   Do exposto, podemos então fazer algumas perguntas: O Estado atual herdou esse modelo estratégico de controle? Existe um mecanismo de controle do Estado para com o indivíduo? O poder emana do povo mesmo ou o povo é objeto de manipulação para o poder? Você mesmo poderá fazer sua análise se achar conveniente ou necessária. Deixo com vocês um dos pensamentos de Renê Descartes: “Penso, logo existo...”.


Referências Bibliográficas:

CARDOSO, Fernando Henrique e Carlos Estevam Martins. Política e Sociedade. Companhia Editora Nacional. Volume 2. Rio de Janeiro: 1979.

DOTTI, Jorge E. e outros. Estado e Política – A filosofia da Política de Hegel. Editora Denis L. Rosenfield. Rio de Janeiro: 2003.

DURAND, Matthieu de - História Abreviada da Grécia Antiga. Lisboa: Editorial Notícias.

GRIMAL, Pierre. El Império Romano. Éditions de Fallois. Editorial Crítica. Espanha: 2000.

JOSEFO, Flávio. A História dos Hebreus. Editora CPAD, Golpel, 8ª Edição, Rio de Janeiro: 2004.

MARTIN, Thomas R. - Breve História da Grécia Clássica. Lisboa: Editorial Presença, 1998.

NIETZSCHE, Friedrich. Genealogia da moral. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

PLATÃO. República. Editora Scipione. Tradução Marcelo Perine. 1ª Edição. São Paulo: 2002.

WEIL, Eric. Filosofia Política. Edições Loyola. Coleção Filosofia Traduções. 4ª Edição. São Paulo: 1990.

http://www.discoverybrasil.com/guia_roma/imperio/crescimento/index.shtml

http://www.sohistoria.com.br/ef2/roma/p2.php

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O POLICIAL E SEUS DIREITOS HUMANOS

Pasmem! Os policiais tem direitos humanos... O Ministério da Justiça e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, começaram a traçar uma Diretriz nesse país, publicada no Diário Oficial da União no dia 16/12/2010, de promoção dos Direitos Humanos dos operadores de segurança pública.

A idéia é que se criem mecanismos para o estímulo e implementação de iniciativas que visem a proteção operacional e psicossocial dos profissionais de Polícia. Contudo, esse protocolo de intenções, tem apenas como base uma portaria interministerial. Seria uma tímida importância dada pela União? Ou o embrião de uma nova forma de se pensar no Policial ou Polícia no Brasil?

A portaria dita o óbvio, invariavelmente esquecidos na dura realidade das Polícias brasileiras, discorre sobre temas interessantes e importantes na lida policial, passa pelos direitos constitucionais e cidadania, valorização da vida, diversidades, saúde, reabilitações, segurança no trabalho, seguros, assistência jurídica, políticas habitacionais, educação, cultura e lazer, valorização profissional, etc... Contudo, tudo continua na batuta da vontade política, como se fosse um conselho dado, uma opinião para que alguém cuide do problema e pague pelas custas dele.

Na seara, que demonstra preocupação com a “Valorização da Vida”, em seu ítem 5, assim temos: “Proporcionar equipamentos de proteção individual e coletiva aos profissionais de segurança pública, em quantidade e qualidade adequadas, garantindo sua reposição permanente, considerados o desgaste e prazos de

validade”. Para quem não vive no mundo fantasioso de „Alice‟, sabe que um dos males, culturalmente histórico, da Polícia no Brasil está exatamente na falta de equipamentos ou na ineficiência ou insuficiência deles, claro excetuando algumas ilhas de excelências que flutuam por aí!

O Estado finge que não é com ele quando o assunto trata-se de não-conformidades-administrativas. Que se vire o policial! Ser policial criativo no Brasil, significa cumprir a missão sem os meios necessários, com risco gratuito... Esse é bom de serviço! Tudo certo! Parabéns... desde que não tenha repercurssão negativa. Agora se tem a tal da exploração midiática, o mundo desaba na cabeça daquele operador, que às vezes erra utilizando o meio inadequado disponível, que lhe fora ofertado para o trabalho. É latente esse descaso nateiro estatal!

Investimentos sistemáticos e concretos, autonomia financeira-orçamentária e administrativa, gestões e comandos com base em resultados práticos e satisfatórios ao bem coletivo, dinheiro público casado com o propósito de combate ao crime, resultados de apreensões de bens oriundos do crime organizado destinados aos aparatos policiais, são temas nada tratados, legisla-se quase nada sobre isso, politica-se ridiculamente nessa temática. O sistema definitivamente não quer ser resolvido, ou se defende de uma resolução.

Enquanto isso, ficamos na esperança que esse „embrião‟ não se figure em um natimorto, que em uma próxima geração tenhamos aquisições que contemplem todos os integrantes policiais das Corporações, no seguinte sentido: efetivo de 10 mil, que se tenha pelo menos 10 mil coletes balísticos dentro do prazo de validade, não menos que isso; viatura de patrulha em zona rural ou urbana sem condições dignas de tráfego, sendo veículo específico off road de verdade, não carro de passeio 1.0; que o policial tenha ao seu dispor os recursos necessários para escalonar o uso da força, dentro da proporcionalidade da ação; e assim por diante.

Enquanto isso... os policiais continuam esquentando a cara no sol e esfriando no sereno, contando com as suas respectivas criatividades, que lhes diferenciam de qualquer „robocop’ norte-americano! Para os honrados e dignos: São heróis... sem o glamour dos cinemas e dos gibis, por enquanto lembrados seus direitos humanos em uma portaria no final do ano de 2010.

Brasil acima de tudo!

NEWTON NERY DE CASTILHO é Major QOPM e Juiz Militar (CPJ)

nnccombatecrime@hotmail.com

http://nccombatecrime.blogspot.com/