A caracterização se funde na formação da política, que através do processo histórico, adquire características próprias, regionalizadas, sendo influenciada pela filosofia e pelos costumes dos povos através dos tempos.
Diante do exposto, a política nasce em um período da história humana onde o fictício e as fábulas são substituídas pela mente racional. Esse tempo se estabeleceu entre as eras da Grécia arcaica e a clássica, onde o surgimento das cidades-estado (pólis) foi fundamental para a formação da política.
O termo política tem sua origem do grego, em que a civilização da Grécia se organizou através da pólis, nome este que é uma derivação das palavras “politiké”(política em geral) e “polítikos”(dos cidadãos, pertencentes aos cidadãos), que transliterada posteriormente para o latim passou a ter a terminologia de “politicus”.
A palavra “política” é oriunda do termo grego antigo πολιτεία (politeía), qual era responsável pela aplicação administrativa na “polis”, como forma de gestão do poder do Estado em função da sociedade. Também podemos encontrar este termo na obra de Platão traduzido como “A República”, onde seu termo original descrito é "Πολιτεία" (Politeía).
Nesse sentido os fundamentos da filosofia política originou-se nesta época, sendo absorvida sua excência pelas bases Romanas, o qual soube aplicar muito bem esse instrumento para propciar as conquistas das quais se efetivaram através da difusão filosófica política.
Importante observar que Roma iniciou seu declínio apartir do século IV a.C., vindo ainda a transparecer que sua decadência política houvesse começado dentro do próprio governo, uma sombria insurreição na cozinha da república.
A cada dia, ficava mais difícil proteger o imenso território conquistado. Esse drama durou séculos, parecia não haver possibilidades para que Roma se reerguesse, não bastava as ameaças internas, as ameaças externas através das invasões bárbaras nos séculos III a V d.C, produzia ainda mais a desestabilidade do Império.
Nesse contexto, a economia começou a sofre também com os efeitos das invasões bárbaras, pois as finanças para as contruções públicas e cerimônias eram desviadas para o exército com a finalidade de suprir a logistica da guerra.
A decadência política da república e início do Império teve seu apogeu por volta do ano de 146 a.C., onde a disputa pelo poder tornou-se o estopim da trama de traição, tendo seu desfeche com a morte de Júlio César, articulação esta produzida pelo Senado.
Com o surgimento do Império, nasce também uma perspectiva de subsistência da nova forma de governo, todavia, sua essência se fundou basicamente na força física das conquistas de territórios, mas um terceiro problema e talvez quem sabe, o maior deles começa a surgir, o controle e a manutenção do poder sobre os povos e territórios conquistados que teve sua parcela no desequilíbrio da estrutura política.
Diante dessa problemática, o Império romano teve que reagir, pois caso contrário seria seu fim, como se as forças esvaíssem dentre os dedos. É justamente nessa situação entre os séculos I e III d.C., que o Estado romano começou a implantar outra forma de domínio, além da já exercida, pois diante de tal quadro, as forças militares não poderiam mais alcançar toda extensão territorial ao mesmo tempo e nem havia efetivo suficiente para defender os interesses do Império.
É claramente perceptível que a forma de controle do Estado não deveria mais partir de fora para dentro, ou seja, do Estado para o indivíduo, mas sim o contrário, de dentro para fora, do indivíduo para o Estado. Situação que nós podemos chamar de alienação política, ou seja, controle das massas, uma forma de dominar o indivíduo por mais longe que estivesse das vistas do Império.
Mecanismo esse que foi muito eficiente e que produziu um efeito que sustentou o Império romano físico por muito tempo, pois o Império filosófico persistiu até os dias atuais.
Por conseguinte, a aplicação do domínio político através da força física do Estado a um indivíduo não reduz o “animus resistendi”, mas a inserção da filosofia política no sistema de governo possivelmente será a responsável pelo controle desse indivíduo no sistema político aplicado.
É importante observar e esclarecer a aplicação da metodologia política filosófica romana, tendo como instrumento de intervenção a filosofia religiosa, para domínio dos costumes sociais e subordinação ao sistema político desejado, como forma de subserviência ao Império e de neutralizar a liberdade de expressão e do pensamento.
Considero ainda que os mecanismos de controle sociais e do indivíduo que nasceu com o Estado, são instrumentos mecânicos e metafísicos, que direcionam os interesses do Estado de forma a alcançar seus objetivos.
Do exposto, podemos então fazer algumas perguntas: O Estado atual herdou esse modelo estratégico de controle? Existe um mecanismo de controle do Estado para com o indivíduo? O poder emana do povo mesmo ou o povo é objeto de manipulação para o poder? Você mesmo poderá fazer sua análise se achar conveniente ou necessária. Deixo com vocês um dos pensamentos de Renê Descartes: “Penso, logo existo...”.
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